Nos tempos em que Fortaleza era considerada por muitos a Fortaleza Belle Époc, a casa do Dr. José Lourenço já escrevia suas primeiras páginas na história da cidade.
O próprio Dr. José Lourenço ja fazia história sem se dar conta disso. Médico bem quisto pela sociedade alencarina, Dr. José atendia e consultava a todos que batiam à porta de seu sobrado.
Ricos e pobres. Ninguém deixava de ser atendido.
E como pagar pelo serviço?
Ora! Os de familias mais agastadas, pagavam em espécie!
Os menos afortunados também... mas em espécies com duas ou quatro patas, com bicos ou focinhos...
É, o Dr. José Lourenço recebia em forma de pagamento e muitas vezes em agradecimento pela atenção que deu àquele menino goguento ou à velha meio brôca que não parava de tossir, galinha, pato, o bacurim mais mais gordim da ninhada. Ou então, um saco de feijão da lavra, ou queijo de cabra que a esposa do Seu Fulano acabou de prensar lá no sítio.
Anos depois da morte do Dr. José Lourenço, o sobrado virou "Casa de Tolerância", onde mulheres de vida fácil cumrpriam diariamente o seu metiér.
Pois é... o sobrado imponente virara prostíbulo.
As quengas que lá trabalhavam, conheciam cada um dos seus clientes pelo pisar dos sapatos no assoalho da casa. As passadas dos seus senhores provocavam um "ringido" no piso de madeira, identificando o portador do pisar.
E com isso, a quenga da vez se preparava para executar tão sabiamente seu ofício.
Fortaleza é assim... cheia de arte, história e muita memória.
Fortaleza é a cidade onde o povo vaiou o sol, onde o bode foi vereador bem votado, onde Iracema se banhava e onde hoje todos nós vivemos!
Fortaleza meu amor, cheia de encantos e encontros.
Há 3 meses
Óóóótimo texto!
ResponderExcluirAmei a verve, a poesia, a história do bordel e dos pagamentos em "espécie" do Dr. José Lourenço. hehe
Beijão
Concordo com a Ilana! Texto bem escrito, com um "tom" da época, inclusive!
ResponderExcluirSó senti um ar de preconceito na transposição do sobrado em prostíbulo, além do fato de não ser uma vida tão fácil assim!
Parabéns, Andréia, gosto muito de ler seus textos, e me sinto, como professor, orgulhoso de vê-la postando aqui neste espaço. Não desistam dele, vocês três!
Abraços!
O clima que você criou na escrita, foi muito bom! cheio de graça o texto. Lins, quase que percebi uma pontinha d epreconceito também, mas logo percebi que a arte pra autora do texto é tudo, ela soube perceber o prostíbulo e sua arte.
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